Ana Maria.

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 Parte I

Ana conseguiu emprego no centro de cidade faz duas semanas, em um cômodo pequeno e escuro no decimo segundo andar, no qual todos chamavam de escritório. Por mais que Ana tentasse, ela sempre chegava de 13 a 22 minutos atrasada de seu pequeno apartamento do outro lado da linha norte do metrô da cidade e tinha que encarar a cara feia do Sr, Elias, seu chefe, que era pior do que o desconto que vinha no seu salário no fim do mês. Os seus dias começavam assim, e depois ficava horas sendo máquina banhada de café, o que a fazia ficar mais ansiosa por falta de seus cigarros.

Para depois poder comer no pequeno e lotado restaurante do prédio, esse ficava no primeiro andar. Ana conseguia ficar na fila do elevador para descer, na fila da comida e na fila do elevador para subir até dar seus contados minutos de pausa. E lá vem mais horas sendo robô com café até poder fazer uma pausa desprogramada para descer para fumar, isso porque Sr. Elias a teria feito escolher apenas um horário para isso, e por mais que isso custasse para ela manhãs ansiosas e horríveis, Ana ainda preferia desfrutar de seu cigarro olhando o sol ir embora em meio aos prédios. Para depois passar algumas outras horas de máquinas até dar o tão esperado horário da saída. Que significava também a fila do elevador e a fila do metrô até poder ficar parada em baixo de seu chuveiro quente para sair o cheiro de mofo que Ana insistia que ficava após ficar tantas horas parada, como os móveis velhos dentro daquele cômodo velho.

E assim passa seis dias e meios de sua semana, e o pouco que lhe sobrava, a faltava companhia para aproveita-lo como deveria, é claro que tinha a simpática senhora da padaria onde Ana passava aos sábados à tarde para comprar pão e cigarro e acabava conversando sobre o tempo, as notícias ruins ou sobre qualquer outro assunto raso. E tinha também o Felipe que a convidava para tomar café nas manhãs de domingo, na qual Ana sentava, acendia um cigarro e se fingia interessada em tudo que Felipe dizia, mas na verdade estava com a cabeça longe, viajando em seus próprios pensamentos, e as vezes até sorria e concordava com a cabeça para se parecer interessada, sem sucesso, mas Felipe não reparava ou não se importava, ele só ficava ali falando, tomando seu café e apreciando a companhia dela. Felipe odiava cigarros, e já tinha dito isso a Ana, e foi só mais uma das coisas que Ana deixou passar sem ouvir, enquanto fumava seu cigarro em paz.

Felipe era um homem solitário, vinte anos mais velho que Ana, a considerada também uma das poucas companhias que tinha.

Continua…

Texto: Cassia Matias

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