Onde moram as borboletas?

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Aquelas que habitavam em mim, mas não eram bem vindas
Elas se eriçavam sem medo de ser feliz, me fazendo ter palpitações e corar
Por rostos, olhares, sorrisos e palavras, não eram sempre certos e verdadeiros
Elas não eram bem vindas!

Odiava elas, e por isso elas foram embora?
Cansaram de viver escondidas, cansaram de serem em excesso,
Cansaram de não serem cuidadas, cansaram de voar por erros,
É possível sentir falta de algo que se odiava?

O que pode ser pior que senti-las demais
Não sentir nada?
Acumulo ou falta?

Onde elas moram?
Talvez se foram com aquela menininha sentimental demais que estava aqui
Talvez foram abafadas pouco a pouco, ano a ano, decepção a decepção, sem perceber

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Texto: Cassia Matias

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Ainda me lembro…

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Bom o tempo que passo sobre a janela pingada de chuva, em tempo frio, na companhia de meu quinto ultimo cigarro do dia e com um chá de alecrim quente. Pensando em paz sobre minha vida e o que se passou por ela.

Como o dia em que vimos o sol se por naquela praia vazia, com aquele vento frio, depois de um dia cheio e estressante de trabalho e o quanto aquilo nos tranquilizou. Ou quando dançamos uma música que nem conheço, bêbados no meio da nossa sala, com altas gargalhadas das danças tortas e desengonçadas. Da vez que peguei no sono em seus braços enquanto você lia seu livro de poesia do seu poeta preferido. Quando brigamos e nos reconciliamos depois de cinco minutos, muito mais apaixonados. Da vez em que pegamos chuva na volta pra casa e aquilo lhe rendeu uma gripe daquelas.

Estranho que sempre essas lembranças que me vem a cabeça de primeira, elas são as mais vivas, claras e felizes, as que sempre me lembro, mesmo tendo as vivido a mais ou menos quarenta e sete anos atrás.

 

Texto: Cassia Matias

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Em Uma Cafeteria Qualquer…

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(…) e de repente saio de inercia e me vejo sentada sozinha, o café já está frio e mesmo não querendo admitir acho que nosso amor também deixou a quentura de lado. Você não apareceu e eu sabia que não viria, mas, não pude deixar de ter esperanças. Aquilo tudo foi real e intenso não só pra mim, tenho certeza. E eu, tola que sou realmente achei que viria me encontrar em nome de tudo que vivemos. Só percebi ter lágrimas quando algumas pessoas passaram olhando em meu rosto. Não posso chorar. Não posso chorar. Repetia em pensamento enquanto limpava o rosto com pressa e pagava o café frio em que não tomei e que você não tomou, para se chorar, chorar em outro lugar. Ajeitei a franja e arrumei a postura para transparecer uma força inexistente. Sai andando e dobrei a esquina com destino a te esquecer de uma vez por todas.

-Por favor, você viu uma moça baixa com franja nesse café? – disse fadigado, um moço atrasado para o seu feliz para sempre.

Texto: Cassia Matias

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